Conhecendo Nietzsche
A Família suicida. —
Os familiares de um suicida não lhe perdoam não ter
ficado vivo em consideração ao nome da família.
– Nietzsche
Durante uma das conversas em mesa de bar com meu grande amigo João Batista (também conhecido como João Mamão ou Johny Papaya) me foi apresentado o livro “Quando Nietzsche Chorou“, depois de me apresentar o livro Johny falou que eu tinha muitos pensamentos parecidos com os de Nietzsche. Fiquei curioso e baixei o livro em formato PDF e o li no Palm.
Gostei bastante dos pensamentos de Nietzsche, argumentos muito fortes e bastante racional. Após “Quando Nietzsche Chorou” li partes de “A Gaia Ciência“, o qual achei show, porém um pouco desorganizado, pensamentos jogados pelo livro sem ordem, cheio de frases intrigantes como “Em toda religião o homem religioso é uma exceção” e “A oração foi feita para pessoas distituidas de pensamento”, Nietzsche consegue criticar de forma maldosa a praticamente todas as filosofias existentes sempre usando argumentos bastante fortes.
Hoje comprei o livro “Humano, demasiado humano” que foi escrito em 1878, antes de “A Gaia Ciência” que foi escrito em 1882. Pelo que vi até agora Nietzsche pega mais leve nesse livro e ele está mais organizado, possuindo inclusive índice remissivo e idéias organizada em capítulos, segue o índice:
- Das coisas primeiras e últimas
- Contribuição à história dos sentimentos morais
- A vida religiosa
- Da alma dos artistas e escritores
- Sinais de cultura superior e inferior
- O homem em sociedade
- A mulher e a criança
- Um olhar sobre o Estado
- O homem a sós consigo
O pessoal na digi vem pedindo para eu parar de ler Nietzsche porque isso está me deixando um pouco mais bruto que o normal, mas prometo tentar não levar os pensamentos dele pra prática, tá bom assim Humberto?
Vou finalizando com o epílogo de “Humano, demasiado humano”, até mais!
1.
É belo guardar silêncio juntos
Ainda mais belo sorrir juntos –
Sob a tenda do céu de seda
Encostado ao musgo da faia
Dar boas risadas com os amigos
Os dentes brancos mostrando.
–
Se fiz bem, vamos manter silêncio;
Se fiz mal — vamos rir então
E fazer sempre pior,
Fazendo pior, rindo mais alto
Até descermos à cova.
–
Amigos! Assim deve ser? –
Amém! E até mais ver!
—
2.
Sem desculpas! Sem perdão!
Vocês contentes, de coração livre,
Queiram dar, a este livro irrazoável,
Ouvido, coração e abrigo!
Creiam, amigos, a minha desrazão
Não foi para mim uma maldição!
–
O que eu acho, o que eu busco –,
Já se encontrou em algum livro?
Queiram honrar em mim os tolos!
E aprender, com este livro insano,
Como a razão chegou — “à razão”?
–
Então, amigos, assim deve ser?
Amém! e até mais ver!
